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REPRODUTORES DE DISCÍPULOS: QUE MISSÃO É ESSA?

Texto: Mateus 28.16-20

Um texto que muitos nem abririam a Bíblia, pois já o tem na memória desde as primeiras aulas na Escola Bíblica de suas igrejas (eu me encaixo nesse grupo). Alguns poderiam saber variadas explicações sobre ele, por já terem ouvido diversas pregações dentro deste texto clássico, chamado de “A Grande Comissão” (uma das versões). Um dia desses estava lendo esse texto e percebi que tinha um questionamento na minha mente… O que, de fato, esse texto quer dizer?

Quando me deparo com a história de Jesus e a Missão dada a ele nessa terra, fico impressionada com tudo que realizou, desde as curas aos ensinamentos ao pé da montanha, tanto para os discípulos, quanto para a multidão. Mas, existe algo que me impressiona de uma forma extrema: “[…] Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores, pois estou indo para o Pai” (João 14.12).

Ao ler este relato de Jesus para os discípulos, tantos os doze, como nós (se de fato somos discípulos dele), creio que posso fazer uma relação clara com o texto de Mateus. Jesus fez muitas coisas quando estava aqui na terra, mas disse de forma clara que quem cria nele, poderia fazer mais, obras maiores ainda. Logo, precisamos refletir o que seria isso, à luz da Grande Comissão. Convido você para essa breve reflexão e, talvez, uma nova forma de pensar.

Vamos retornar para o relato de Mateus, das últimas palavras de Jesus. O Mestre dá uma ordem, que já começa com uma expressão de força: “Portanto […]”. Interessante, porém, o comentário da Bíblia Almeida Século 21: “As igrejas evangélicas sempre enfatizaram o ide, mas o centro da Grande Comissão de Jesus é a ordem para fazer discípulos. A rigor, o verbo ‘fazer discípulos’, é o único neste período no modo imperativo. Os outros três verbos estão no particípio (traduzido para o português no gerúndio) e indicam a maneira pela qual a ordem de fazer discípulos deve ser cumprida” (Grifo meu).

Ao ler isso, fiquei pensando no quanto já falei sobre o “ide”, que na verdade é “indo” na tradução, sobre como enfatizei a nossa tarefa de ensinar as Escrituras e ajudar as pessoas na caminhada de fé. Porém, isso tudo deve ser o “como” cumprir, e não exatamente, o “que” devemos cumprir. O nosso papel é fazer discípulos, de todas as formas, de todos os jeitos. Essa é a centralidade do texto.

Em muitos momentos, isso quase que passa despercebido de nosso entendimento. E então, focamos em nossos projetos gigantescos do “ide”, de fazer estudos bíblicos de uma semana, de visitar as pessoas, ir em todas as casas do bairro, da cidade, e nos esquecemos do que Jesus ordenou: Fazer discípulos. Keith Phillips escreveu um livro intitulado A formação de um discípulo (todo cristão deveria ler este livro). O primeiro capítulo já nos instiga a pensar sobre nossa postura: Fazer discípulos, e não convertidos.

Em um dos momentos do livro, Phillips relata que em uma de suas viagens, compartilhou do evangelho para uma pessoa que estava sentada ao seu lado no avião. Mas, eles nunca mais se viram. Será que realmente é para isso que Jesus nos chama (não estou dizendo que experiências assim são erradas e que você nunca deve compartilhar o evangelho em ocasiões repentinas)? Precisamos rever nossa forma de encarar a Missão dada a Jesus, e que ele deu à Igreja, quando voltou para o Pai. Do contrário, continuaremos com nossos planos falidos de evangelização sem continuidade, sem fazer discípulos.

Neste momento, podemos retornar até o relato de João e entender por que Jesus disse que faríamos obras maiores: “O Pai era a fonte do poder por trás das obras de Jesus, em sua humanidade. Assim, todos os seus seguidores que pudessem desenvolver semelhante comunhão com o Pai estariam aptos para realizar as mesmas obras. E fariam obras maiores ainda, não em qualidade, mas em quantidade, porque as ações de Cristo abrangiam apenas uma parte do mundo” (Bíblia Almeida Século 21).

Só poderemos cumprir a Grande Comissão de fazer discípulos quando estivermos em um relacionamento verdadeiro com o Pai, por meio de Jesus, que nos comissiona, a fazer obras maiores. Somente assim, seremos discípulos verdadeiros, que poderão gerar outros discípulos, cumprindo, de fato, a ordenança. Do contrário, seremos meros “crentes” que se contentam com uma vida medíocre. O convite feito a cada um de nós é para uma vida de comunhão tão intensa com o Pai, que entenderemos o que é fazer parte dessa Missão, do jeito que foi planejado, não por nós. Para isso, a pergunta que temos de responder hoje é justamente se entendemos o que é Fazer discípulos. Que isso nos cause incômodo, todos os dias de nossa existência. Amém!

Por: Elen Carvalho
JUBAM – Juventude Batista Mineira